Sistemas não leem pensamentos

Interessante notar como a gente se apega a conceitos revisitados. Mais ainda com palavras rebuscadas que apontam para inovação. Há algum tempo, fui questionado sobre o que as empresas deveriam fazer quando acabar essa pandemia e fiz um artigo sobre uma re-significação digital.

Fiquei mais feliz com a quantidade de citações desse conceito, do que com a repercussão das minhas ideias no artigo. De qualquer forma, sim, isso terá que acontecer em muitas empresas para continuarem ativas no (já) famoso pós-Covid-19. Pois bem, quando iniciou o sistema de isolamento, eu vinha conduzindo um projeto de recuperação de uma empresa e, de forma mais corajosa do que oportunista, botei em prática algumas premissas de transformação digital. De repente a equipe comercial estava em home-office e o resultado foi ver que as vendas não caíram, mas trouxeram outras demandas que estavam ocultas na operação.

Isso então me levou a refletir sobre os sistemas de gestão, que terão a sua complexidade e processos questionados, muitos dos quais gerando custos também ocultos. A simplicidade é uma das premissas, assim como a remodelagem do negócio, de forma que os empresários que estão esperando (ou pagando) para ver o que acontecerá logo à frente, terão grandes dificuldades para serem novamente competitivos. Além disso, sistemas em nuvem e processos ágeis passaram a representar um caminho crítico para uma inserção digital de empresas antes acostumadas a linhas rígidas de comando e que a partir de agora terão estruturas e micro ecossistemas fracionados, conectados digitalmente por interfaces de comunicação.

Isso justifica um esforço imediato das empresas, principalmente as familiares, no sentido de simplificarem seus modelos de negócio, a partir de uma remodelagem de estruturas e processos, com o objetivo de obter lucro. Eu conheci até hoje apenas dois caminhos para permitir à uma empresa obter lucro: ou você reduz custos – o caminho mais fácil, mas míope diante de uma pandemia, pois não se sabe mais o custo real das estruturas para executar processos diferentes. Ainda, ninguém mais aguenta escutar sobre redução de custos, pois isso vem de muito tempo – ou você agrega valor ao seu produto e serviço.

Agregar valor a partir de agora, dependerá basicamente de tornarmos os processos de comunicação e gestão automatizados, digitais, simplificados, voltados a um propósito, para que possamos novamente guiar a empresa num novo mercado. Essa pode ser a re-significação já referida. Mas tem que começar já, com desapego ao que existia até fevereiro de 2020 que não voltará, nem igual.
MARTIN RICARDO SCHULZ
Consultor em Modelagem e Gestão Organizacional, Gestão de Pessoas, Mentor e Professor na Schulz Business Advisory
Diretor do Núcleo Serra Gaúcha da ABCO - Associação Brasileira de Consultores