ABCO - Associação Brasileira de Consultores

Uso da Redes Sociais na Recuperação de Crédito


Estamos vivendo a era da informação e do conhecimento e, mais do que isto, a era da franca colaboração, tanto que Wikipédia (Enciclopédia digital), não tem dono. Ela é feita por um milhão de pessoas e já é dez vezes maior do que a enciclopédia britânica, sendo encontrada, hoje, em 190 idiomas.

Atualmente o Brasil tem um número total de usuários no Facebook que passa dos 70 milhões e é um dos países onde as pessoas mais acessam suas contas diariamente.

Nesta era pós-industrial, o conhecimento já não é mais privilégio de poucos, não sendo mais transmitido de um para muitos, mas de muitos para outros tantos. Será, como afirmou Don Tapscott, em recente entrevista “a era da inteligência em rede, num sistema de franca colaboração em massa”. Neste sentido, vamos todos mudar o modo como inovamos, e como criamos bens e serviços.

Derrubado dramaticamente – pelo uso cada vez mais difundido da Internet – o custo da colaboração recíproca será de interesse das pessoas que passem a colaborar, umas com as outras, cada vez mais intensamente.

Através do serviço de mensagens do Facebook é possível enviar qualquer texto sem que este se torne público, evitando qualquer constrangimento para o receptor.

Tendo tudo isto em mente, não é de hoje que tenho pensado como utilizar a Internet para localizarmos os financiados de nossos clientes, sabedores de que, depois de seis meses, um percentual bastante elevado de pessoas muda de endereço fixo e de telefones.

Até que um dia, aconteceu a explosão das mídias sociais, algumas dirigidas, especialmente, ao mundo dos negócios.

Com a democratização do acesso aos computadores e, por via de consequência, à internet, seguramente, a cada dia que passa, um maior número de financiados de nossos clientes, usa a internet para comunicar-se uns com os outros e com quem bem entenderem.

Sabemos todos nós que utilizamos o instituto da mediação, que o difícil não é negociar uma solução para o impasse criado com o inadimplemento dos financiados. O difícil é encontra-los. Uma vez, removido este obstáculo, a solução viável sempre surge, inexoravelmente, mesmo porque, não se fica com restrição creditícia, baixando o próprio astral, com oportunidades de acesso ao crédito trancado, por vontade própria e indefinidamente.

Certa feita, quando recebemos em nossos escritórios, para uma entrevista, uma determinada repórter, ao fiscalizar nossos pontos de atendimento (P.A), com nossos operadores ao telefone; ela exclamou: “ninguém gostaria de receber telefonemas como estes”.

Não comungamos absolutamente com esta ultrapassada assertiva. Muitas vezes sentimos que o financiado não procura seu credor, por medo, vergonha, falta de tempo e de recursos, mas, sobretudo, por não vislumbrar uma solução imediata para o impasse criado com sua inadimplência, restaurando o gozo pleno de sua cidadania.

Se ele passasse a dispor de um meio rápido, barato (sem a necessidade de denunciar seu endereço físico), para acessar seu credor e ou seus representantes, tenho certeza de que ele diria: “Estamos aqui, queremos negociar”.

Com isto elevaríamos, em um percentual bastante significativo, acredito, o número de financiados localizados, não nos deixando tão à mercê das firmas de localização, cujos cadastros de desatualizam a cada dia que passa.

Em que pese a dúvida consistente em que o uso das redes sociais estariam trazendo constrangimento e cobrança indevida por se estar disponibilizando, NÃO INDIVIDUALMENTE, o fato de que uma pessoa possui débito, a verdade é que, no próprio FACEBOOK há como, tecnicamente, você se dirigir a uma determinada pessoa, sem que as demais integrantes da rede saibam exatamente quem é esta pessoa, e nem ao menos de que existe uma mensagem de alguém destinada a uma outra determinada pessoa integrante da rede.

Ademais, quase três anos depois de um advogado australiano ter causado um rebuliço ao mandar uma notificação de arresto de imóvel residencial por falta de pagamento via Facebook, a prática de transmitir notificações judiciais on-line está se disseminando como um meio para os tribunais manterem sua relação de processos pendentes em movimento.

Tribunais da Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido adotaram o exemplo australiano para evitar que os processos fiquem parados quando as partes interessadas não podem ser localizadas e notificadas pessoalmente. Os advogados disseram que os Estados Unidos podem não estar muito atrás no uso do serviço, a rede social mais popular do mundo.

É importante destacar, contudo, que embora nem todo mundo que tenha página no Facebook visite o site regularmente, há, porém, certas pessoas que existem, hoje, apenas, on-line, – sem serem avatares de si mesmos – desempenhando esta moderna via de acesso e contato, um recurso inestimável e ao nosso alcance, pois a preocupação primordial é que as pessoas sejam notificadas, tenha a respectiva notificação chegada pelo FACEBOOK, ou não.

Agora, se isto é desejável ou não, é outro problema. Se estar-se-ia infringindo os Códigos de Ética que condenariam ficar-se amigo dos destinatários para contornar as configurações de segurança, é um outro tema o qual demandaria uma análise mais aprofundada que neste despretensioso ensaio não caberia.

Na presença da vacatio legis, porém, já que o assunto é novo e polêmico, valeria a pena, sem dúvida, pormos esta matéria em uma ampla discussão, por todos os meios ao nosso alcance.

Luiz Felizardo Barroso

Advogado titular da Advocacia Felizardo Barroso & Associados, Diretor  do IBEF Rio

Presidente da Cobrart Gestão de Ativos e Participações

luiz@felizardo.com

 

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