ABCO - Associação Brasileira de Consultores

O que você precisa saber antes de migrar para a Consultoria II- valor Tempo


Qual o valor novo, com que o candidato a consultor passa a contar?  É O TEMPO.  Com a liberdade de ação que uma nova situação de vida proporciona, o TEMPO passa a pertencer-lhe. Acostumado a cumprir horários predeterminados, em suas antigas atividades, o candidato a Consultor, tem em mãos, agora, uma força fugidia, cuja administração exige determinação e disciplina.

Mesmo que esse Consultor em formação tenha vivido em um ambiente hierarquizado, disciplinado e  harmonioso, sua principal característica, enquanto subordinado à ação de chefias,era a obediência e o respeito às normas, inclusive a de horário, determinada por quem o chefiasse.

Aprender a administrar o Tempo passa a ser seu mais difícil desafio.  Mas é indispensável dominá-lo, o que requer de sua parte, disciplina para consigo próprio, bem mais rigorosa do que a devida a um chefe.

Você é agora o dono, o responsável  e o agente do “relógio do ponto” de sua Vida. Com esses elementos constitutivos, a fórmula da boa Consultoria pode ser assim representada:

CONHECIMENTO ATUALIZADO + COMUNICAÇÃO + ÉTICA e INDEPENDÊNCIA

TEMPO

A administração do Tempo passa pelas perguntas clássicas:

– “Desejo continuar usando “meu” tempo como venho fazendo até hoje?”                                   e

– “Tenho realmente dedicado mais tempo àquilo que para mim é mais importante?”

Estas foram as perguntas que fizemos na apresentação de um livro sobre o tema, que apesar de decorrido um bom tempo, ainda permanecem válidas, e que, poderiam ser complementadas com o sentido de resposta:

 

“Em plano de Vida que presta

organizando o seu tempo,

sobrará muito mais tempo

para viver todo o tempo

do muito tempo que resta”.

29ª Diretriz da Consultoria

“No ano, o Consultor deve fazer as contas das horas que gasta( tangível) com o Cliente– realizando o trabalho, com deslocamento, com atendimento não programado…– e comparar com a importância (intangível) de tê-lo em sua carteira de clientes. Daí, poderá inferir  se mantê-lo compensa a perda de horas  que seriam dedicadas ao lazer, família, leitura… e à prospecção de novos clientes, comunicação, atualização…”

A Regra da Mão Aberta

Alguém chegando a antessala de  escritório de uma instituição, onde pessoas elegantes estão tranquilas, aguardando algo ou alguém, ouvindo musica ambiente, e de repente irrompe pela sala, esbaforido, com marca de suor no paletó, com todo aspecto de atrasado para uma reunião com o principal executivo?  É certo que algum erro ele vem cometendo para chegar assim tão atabalhoado, deixando em todos uma péssima impressão.

Você acompanhou, constrangido, a cena, porque reconheceu-o  como  um  recente Consultor, com quem cruzara uma ou duas vezes, na mesma empresa.

O fato levou-o a lembrar-se de aulas que recebera no Curso de Desenvolvimento de Consultores. Lá, de imediato, se dele tomasse conhecimento, o Professor teria nos perguntado, na primeira oportunidade:

– Qual o erro principal que parece tê-lo levado a essa situação de um quase vexame profissional?

Parece-me estar ouvindo o Professor, em uma de suas aulas:

-“Os consultores que não desejam aparecer com fisionomias de cansaço, esbaforidos, com olhar perdido, têm as rédeas do tempo às mãos…”

E logo lembro-me de sua imagem da qual nunca me esqueci:

  • Vocês sempre se lembrarão dessa imagem: ter o tempo às mãos, pode ser simbolizado com a mão aberta; como ficamos? Com os cinco dedos, à nossa frente, podemos começar uma distribuição: dos cinco, três representam o tempo dedicado ao trabalho contratado; o quarto, o tempo reservado para Comunicação e Marketing – marcando o seu espaço e contribuindo para o seu posicionamento como Consultor – e o quinto dedo, representando o tempo para se cogitar de novos produtos”.

 

Então qual o erro do novo Consultor esbaforido? Ele não teve o tempo às mãos. Não soube dominar o tempo. É provável mesmo que ele fosse um desses aventureiros da Consultoria que se lançam no mercado, sem se preocupar em receber conhecimentos que evitem aquelas falhas grosseiras.

O que poderia ter levado aquele novo Consultor a deixar aquela imagem negativa?

Talvez o fato de que o novo Consultor tenha vivido em um ambiente hierarquizado, e não tenha aprendido ainda a cumprir horários sem o controle ou determinação de um chefe. Ele ainda não administra seu tempo. Resumindo, ainda não é o dono do “relógio do ponto” de sua Vida e Trabalho.

Mas, outro dia, verificou que houve um ponto positivo: o novo Consultor deve ter sido levado a fazer sua autocrítica.  Porque o tempo passou, e encontrou-o numa  reunião importante,  agora, entretanto, muito elegante, sereno  e com o tempo dominado, “ dono do relógio do ponto”, quando anunciou que a reunião estava concluída, no horário

Dicas para domesticar o seu tempo

 Planeje o seu dia logo, cedo( exercícios físicos, deslocamento, trabalho, alimentação, trabalho, deslocamento, pausa…);

 Distribua as tarefas( andamento de trabalho, comunicação, novos negócios) sempre à mesma hora dos dias;

  Mesmo com a comunicação instantânea, aprenda a dizer que está ocupado; pergunte a melhor hora para retornar a ligação; anote para não esquecer de retornar;

  Solicite que adiantem o assunto, se for o caso;

  Fixe horários para ler e responder e-mails;

  Eduque seu celular: desligue-o quando receber um cliente (ele terá razão em não querer dividir a hora “que já comprou”); quando focado no trabalho; em aula; no almoço, nos cursos, workshop…;

  Conheça previamente os assuntos e a duração antes de entrar em reunião. Prepare-se para participar;

  Nela, ouça com atenção e desencoraje conversas paralelas; e

  Proponha a eliminação de assuntos gerais, nos quais, às vezes,  se encontram os reais motivos para a reunião.

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Luiz Affonso Romano é consultor, coach para desenvolvimento em consultoria, professor do Curso de Desenvolvimento de Consultores- presencial e online-, autor do Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil – 2014, 2015 e 2016 -,colunista da newsletter mensal “Ouvimos por aí” , do Administradores.com e  diretor do Laboratório da Consultoria.

Ouvimos por aí nº 88, outubro 2017

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